A essência


Os movimentos comunitários representam a essência da boa democracia. Nele os anseios da população encontram representação mais direta e legítima; e a lógica que o define é simples - é a proximidade que torna o meio mais sincero, tal como o fogo passa mais calor ao objeto mais próximo.

De todo modo, me refiro ao movimento real, erigido verdadeiramente pela comunidade – sem manipulação de terceiros ou interesses escusos. São nessas agremiações que aposto para a consolidação de um novo momento político, onde se apontam as prioridades coletivas, para a melhora da realidade dos que precisam, de fato, da atenção privilegiada do poder público.

As prefeituras e as câmaras de vereadores deveriam ter mecanismos mais eficientes de canalizar e sintetizar essas vozes, que gritam abraçadas, em nome de um amanhã melhor. As redes sociais podem e devem ajudar, mas é preciso organizar mais essa interlocução, tornando-a mais transparente - além de ouvir a voz, é indispensável mostrar quem a emite.

Interessante observar que estes movimentos existem em bom número, mas poucos têm espaço nos noticiários, talvez porque a pauta que a maioria destes abrange sejam mais voltadas para projetos meramente políticos, em detrimento do que, essencialmente, representa e clama a sociedade.

É preciso ouvir e praticar o que os movimentos sociais de base esboçam, alçando-lhes a condição que merecem: verdadeiros detentores do poder, que emitem a direção do que deve ser priorizado. Sem falácia, sem superficialidade; na real; pela realidade.

Acredito que assim construiremos dias melhores. Vamos ampliar os debates, saindo dos muros das concepções pontuais e enxergando como um todo aquilo que deve ser para todos.



Há um pomar escondido no coração da semente



"Existe busca e assédio no beija-flor voador,
quando procura na flor essência para seu tédio
Mas como existe remédio no veneno da serpente
na virgem flor inocente há um desejo contido
E há um pomar escondido no coração da semente."

Raymundo Asfora

A verdadeira força da família

A família tem uma importância incrível na vida de todos nós. Ela é sinônimo de força, direcionamento, ponderação e paz. No entanto, quando não se dá o devido valor a mesma, o ser humano caminha sem chão, e com base apenas no que quer “pôr as mãos”, esquece que a queda é inevitável. O individualismo é nocivo a esta instituição formatada pelo Criador. A família precisa se enxergar como um todo. 

Indispensável notar que o que forma uma família é bem mais abrangente que o laço sanguíneo. Família é mais sentimento que matéria; é mais cumplicidade e confiança do que genética. Por isso, a própria Bíblia afirma que há amigos mais chegados do que irmãos. 

A liberdade e a unidade são matérias-prima para todas essas vertentes, uma não existe sem a outra. A primeira garante uma visão mais plural e completa. A segunda deve ser o resultado do respeito à primeira, temperado com a inteligência coletiva que norteará o corpo como um todo. Isso vale para os mais variados temas. 

A união promove a força, não só pela quantidade, mas pela qualidade do que veio antes. Nisso consiste o espírito da verdadeira família. O respeito, a democracia e a transparência devem preponderar; pois o que é bom para todos, também o é para cada um. A família é um dom de Deus. 

JULGAMENTO (Raymundo Asfora)


Crônica escrita por
 Raymundo Asfora.
Diário da Borborema

Está aberta a sessão. 

A voz do juiz, grave e solene, impõe silêncio às galerias. Uma atmosfera de profunda tensão emocional pesa sobre o ambiente. 

Entre dois guardas, no banco dos réus, um homem espera julgamento. É acusado da autoria de um crime de homicídio. 

O quadro é de uma quase rotina nas reuniões periódicas do Júri Popular. Mas, dessa vez, há um detalhe que torna a cena um pouco diferente. 

Você, leitor, está no plenário, porém não como um simples expectador. Nesse instante, uma toga envolve o seu ombro. Você é um dos membros do Conselho de Sentença. 

E vai julgar o réu – autor de um crime de morte que voltou a confessar, no interrogatório perante o júri. 

O fato abalou a cidade; a população aguarda, ansiosamente o veredito. 

A vítima - esposa e mãe – foi assassinada pelo próprio marido. 

O casal vivia em uma casinha, em um bairro da cidade, e era um modelo de paz. O esposo, homem de sessenta anos, estava aposentado do serviço público. A mulher, um pouco mais velha, tinha um câncer, e fazia um ano que suportava os mais atrozes sofrimentos. O marido tratava-a carinhosamente. De noite, descansava em uma cadeira ao pé do seu leito, para vigiá-la e socorrê-la, quando acometida de espasmos mais agudos. Ela, por diversas vezes, havia tentado o suicídio. Primeiro com um revolver que o esposo arrebatou-lhe das mãos; depois querendo envenenar-se ingerindo um porção de gás. Na noite dos fatos, as torturas físicas foram maiores que as de costume. O marido assistiu, durante várias horas, o doloroso espetáculo. 

Não resistindo mais – não suportando mais assistir à tragédia – pegou o revolver e disparou três tiros na cabeça da mulher. A morte foi instantânea. 

Permaneceu, longamente, ao lado do cadáver e, ao amanhecer, foi entregar-se na Delegacia de Polícia. 

A versão da ocorrência não foi contestada por ninguém. Acusação e defesa aceitaram-na, como expressão da verdade. O Promotor, todavia, pede a condenação do réu. Sustenta que o Direito tutela a vida e a ninguém é lícito destruí-la, mesmo movido por um sentimento de piedade. 

Leitor – chegou a sua vez de votar. Em nome da lei e fiel aos ditames da Justiça. Chegou a vez de você proferir o seu julgamento. 

Culpado ou inocente?

Raymundo Asfora

Crônica publicada no Diário da Borborema.


O GESTO (Raymundo Asfora)


Foi um gesto do passado
De claro sabor escuro,
Tão grave, tão demorado,
Que me habitou no futuro.

Um gesto que, bem pensado,
Nele ainda me procuro.
Tão de repente! E esperado.
Tão sem alma! Mas tão puro.

Um gesto de quem se fende
Ao meio e assim, face a face,
Uma a outra não compreende.

Gesto de efêmero eterno.
De uma noite que hasteasse
Sombras no fogo do inferno.


Raymundo Asfora


NOTA DO BLOG

Dando sequência a publicação de sonetos do meu avô, Raymundo Asfora, brindo aos leitores com este belíssimo "gesto". 

Campina: ontem, hoje e amanhã


Berço de grandes lideranças políticas e de um povo aguerrido e criativo, Campina Grande sempre se mostrou ousada por meio dos seus filhos. Hegemônica no cenário estadual, a Rainha da Borborema - via de regra - pauta os maiores debates na Paraíba, ditando nos pleitos a força de sua tendência preferida. Vêm sendo assim historicamente, há bem mais de 20 anos...

Aonde quero chegar? No exemplo da Campina de hoje, que se orgulha do passado distante, mas que pouco tem projetado um futuro diferenciado e promissor. Os administradores da nossa Capital do Trabalho, orgulhosos de fazer o básico, esquecem-se de mostrar uma perspectiva viável de desenvolvimento econômico. 

Onde está a Campina da Bolsa de Mercadorias, de Edvaldo do Ó, e do Maior São João do Mundo, de Ronaldo Cunha Lima? Cadê a Campina que é sede da reitoria da nossa Universidade Estadual e que detém a sede da Federação das Indústrias do Estado? Tem faltado ousadia a quem comanda os destinos do nosso povo, no sentindo de materializar a grandeza de espírito desta terra. 

Louvável foi a iniciativa da educadora Yara Macedo, em criar um portal (campinacrescecomvoce.org/) que busca catalisar as ideias dos conterrâneos, com o objetivo de vê-la verdadeiramente maior, porque grande ela já é. 

Tenho certeza que, na verdade, Dona Yara tem buscado bem mais do que isso. Ela anseia em resgatar o empreendedorismo de quem, em qualquer tempo, olhava adiante, usando o ontem para incrementar a sorte que sempre favorece aos audazes no amanhã – como diria Alexandre, o Grande. 

Portanto, é hora de nossas lideranças políticas pararem de se prenderem ao pretérito, como culpado de tudo o que não se vê. O que falta não está no passado, está no agora. Vamos lá! Vamos buscar fazer o horizonte neste instante de Campina – marca maior de quem sempre esteve à frente do seu tempo.

Determine a ação... e viva!

Ninguém vive sem um objetivo. A felicidade, gênero de várias espécies de sonhos, exige um sentido à vida. No entanto, nesse enredo, as especulações ganham espaço e, muitas vezes, geram frustrações. É que o objetivo demanda mais determinação que sonhos...

Sonhe... mas faça um projeto; Viva... e veja o sonho se realizar. Sem direção não chegaremos a lugar nenhum. Olhe para o futuro; do presente. A estrada é o meio, o sonho é o mapa e a determinação é o resto.

Falo em determinação porque ela não exclui o fracasso, nem muito menos os imprevistos verdadeiros. Mas é ela a semente do recomeçar na superação. É fonte de inesgotável querer e, por isso, sábia apreciadora de lições.

A determinação é a força que gera não só o primeiro passo, mas que – como um imã – nos atrai para o destino desejado.

Entendamos que um sorriso não pode ser apenas um gesto facial, deve ser o atestado fiel do melhor caminho em si mesmo. Por isso, veja o tempo como oportunidade e o passado como um bom professor. A determinação te levará ao futuro que você quer, pois o que te distrai do teu sonho te afasta de ti mesmo.

Feliz Natal e Próspero Ano Novo.